Sexta-feira, 15 de Dezembro de 2006

Comem-se uns aos outros!

Para termos ideia da expressão estrema desta lei do mais forte que existe no impiedoso mundo natural, falaria então do tubarão-touro. O tubarão-touro é um animal invulgar para além do seu tamanho e aparência, pois a fêmea no inicio da sua gravidez alberga no seu ventre cerca de 40 embriões saudáveis e em iguais condições de desenvolvimento, mas o que acontece é que esta mesma fêmea só dará à luz uma única cria sã e bem desenvolvida. Era de supor que os outros embriões teriam nalgum momento degenerado para que apenas um gozasse de melhores condições do que se a progenitora investisse em levar adiante a gestação com 40 descendentes que não chegariam a ser tão bem beneficiados. Certo é que a cria que nasce é a mais forte e única sobrevivente de uma chacina que envolveu matar e comer os seus restantes irmãos que com ele compartiam o seio materno, numa luta por ser o maior e o melhor, o mais bem preparado para enfrentar a vida exterior. Durante toda a gravidez, todas as possíveis crias gozavam das mesmas condições dentro do ventre materno, no entanto, apesar da falta de espaço para as 40 ser uma das causas prováveis, esta não é suficiente para justificar totalmente com rigor o sucedido. À medida que vão se desenvolvendo os pequenos monstros vão apurando os seus instintos predatórios ao ponto de, não tendo contra quem investir, voltam-se contra os únicos e possíveis alvos, praticando o canibalismo. Só o mais forte, agressivo e cruel leva avante, apagando todos aqueles que não foram rivais para ele. Tudo isto, passando sem remorsos indiferentemente num mundo onde se mata ou se morre.

Agora, em jeito de reflexão, seremos nós seres humanos, ditos evoluídos e com o dom do discernimento e da razão (considerado uma dádiva divina), mais civilizados que estes exemplos frios do mecânico e inconsciente mundo natural. Muitos mais são os exemplos no mundo das pessoas que nos poderão fazer rejeitar esta premissa de superioridade do Homem. Nos animais chamamos instinto de sobrevivência, o mecanismo simples dado pela Natureza pelo qual se regem estes seres como modo de subsistir e perdurar a espécie. Para nós esta inclinação chama-se egoísmo, quando sempre que surge a oportunidade nos aproveitamos dos outros, pela nossa condição vantajosa ou debilidade alheia, ou as nossas ânsias de chegar ao mais longe sem olhar a meios, independentemente de que fique pelo caminho ou quem sucumba, perdendo tudo. Mesmo sem que seja um mais-valia, podendo conciliar uma convivência harmoniosa, pensando que não poderiam sequer de ter que colidir e competir pelos seus interesses quando o que dispunham era suficiente, mas que nos torna o centro das atenções, no topo. Muitas das vezes fazemo-lo pelo simples prazer ou para alimentar a nossa ganância obsessiva que não admite comparação ao mesmo nível dos demais.

Por fim e depois de desabafar e reflectir olhando para que se disse, se calhar nós é que somos umas “bestas”!

Sinto-me: arrepiado!
Roído por Maganão às 17:48

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1 comentário:
De brisa intermitente a 17 de Dezembro de 2006 às 15:43
"Muitas das vezes fazemo-lo pelo simples prazer ou para alimentar a nossa ganância obsessiva que não admite comparação ao mesmo nível dos demais."

tenho unicamente a dizer: que inspiração na elaboração e realismo satírico à realidade...
Parabéns!

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